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Viver em comum

Creio que a primeira experiência de viver em comum seja durante o "estado interessante". Para aqueles que nunca ouviram falar dessa expressão, diz respeito ao tempo de gestação e de maternidade. O fato é que o feto não se lembra de como é esse processo de adaptação de dois corpos em um. E mesmo a mãe até os cinco meses mais ou menos também ainda não o percebe como ser vivo dentro dela. A partir deste período as coisas mudam... e o bebê passa a fazer parte, de modo mais evidente - pois seus movimentos já podem ser sentidos pela mãe dadas as suas proporções -, ao processo de vida comum, e de como a presença de um dentro do outro altera tudo, de simples gestos a movimentos de corpo mais complexos, agora mais contidos na mãe e também no bebê em função de uma nova realidade, que se altera diariamente! Para a mãe é um processo que se transforma ao longo dos 9 sábios meses que a natureza nos concede para que nos tornemos mais conscientes do que é que vai ocorrer. O primeiro filho en...

Música, filmes e vida

Ou seria "Filmes, música e vida", ou "A importância da música na vida e nos filmes ou A música: trilha para a vida e para filmes"? Brincadeira de temas à parte, vale a pena assistir o filme Atravessando uma Ponte, filme que se passa em Istambul..., produzido por um músico alemão...e que assisti no Artepelx Unibanco, no Rio. Lindo, lindo, lindo muitas vezes.. O filme não é somente sobre música, mas sobre uma das Artes capazes de "tocar" a alma das pessoas e sobre o quanto é importante respeitar as diferenças, seja sobre o que for. Creio que a diferença é aquilo que nos faz ser...

Orientação

Se tem uma coisa que tenho aprendido é que só a experiência do livre pensar, exercitado dia-a-dia, permite a expressão, seja por meio da palavra ou através dos atos. Uma frase que escutei certa vez e que marcou profundamente minha vida é que a liberdade não é fazer o que se quer, mas aquilo que tem que ser feito. Ela funcionou como uma espécie de guia, mesmo que por vezes eu discorde dela. Creio que o fato de discordarmos das coisas ou simplesmente o de as questionar é que move nosso pensamento sobre o modo como compreendemos as coisas..., "esconjurando o medo da crítica", como escreve Bourdieu - autor francês, sociólogo. Se nos calamos apenas por que não queremos ser questionados, então para que serve a palavra ou o pensamento? Este autor aponta também para a importância do reconhecimento das referências em nossas vidas e das orientações que guiam nosso pensamento para determinadas questões, posturas, condutas, enfim, as ações, como decisões realizadas através da escolha som...

Aprendendo com Orquestras

Neste último mês tive o privilégio e a oportunidade de poder assistir vários espatáculos musicais. O primeiro deles no Rio Folle Journée: Harmonia dos Povos, na Sala Cecília Meireles: um duo francês de piano e violoncelo, respectivamente Brigitte Demarquette e Henri Engerer, outros dois no domingo, um pela manhã, no Theatro Municipal: com Nelson Freire ao piano, Orquestra Sinfônica Nacional, Coral Ensamble – UFRJ e Lidia Amadio na Regência, e outro, no fim da tarde, também na Sala Cecília Mereiles, onde tocou um duo de piano, composto por pianistas brasileiros: Sylvia Thereza e Nivaldo Tavares. Assistir à Orquestra Nacional emocionou, não apenas pela música, mas por muitas consonâncias, dentre as quais a de compreender que a composição para orquestra é o legado de músicos extremamente generosos, que compuseram selecionando e enaltecendo a beleza de cada um dos instrumentos escolhidos, individualmente, passando pelos naipes – família de instrumentos - até abrangerem todo o conjunto da...

Temas e títulos: o uso das palavras

Escrevi para o Globo falando sobre a falta de coerência no uso das palavras...Escrevemos para que sejam publicadas. Então, publico primeiro aqui: Prezados Senhores, É interssante observar como as palavras, especialmente nos ditos “meios de comunicação”, a cada dia banalizam todo o sentido construído ao longo do tempo, e especialmente no último século, para conquistarem um lugar no senso comum, lugar este que fosse digno de poder ser dito. O que chamou minha atenção para o título da matéria O caráter está em jogo, do caderno Boa Chance, de domingo 10 de junho, foi semelhante ao que me deixou curiosa com o título Sexo, arte e decoração, do caderno Morar Bem, do mesmo dia. Curioso notar como um mesmo Jornal que se preocupa com noções e valores, como a idéia de competição sem precedentes, deixa passar um título que leva a palavra sexo para o banal, quando a matéria, em seu discurso, em nenhum outro momento a utiliza para expressar idéias que passam pela sensualidade, nudez, erotismo, pa...

Sobre as perdas

Não sei se a compreensão das perdas no mundo ocidental é a mesma do mundo oriental. Acredito que há diferentes modos de se lidar com as adversidades da vida, e é justamente por causa delas que aprendemos a observar e nos relacioanr com as coisas que dizem respeito à nossa vida, direta e indiretamente. Elas, as perdas - as adversidades - é que nos ensinam a crescer. Também não acredito que a palavra adolescência, que é o período em que nossas formas se transformam para além do tamanho, se alteram em volumes... é um período que dói, crescer dói... e as grandes mudanças nos ensinam que a dor e a perda fazem parte deste crescimento contínuo que é nossa vida. Tive "grandes" perdas ao longo da minha vida. Se por um lado me endureceram, por outro vêm me ensinando a desenvolver minha ternura: "endurecer, pero sin perder la ternura!" Mais do que nunca me sinto forte e suave, cada vez mais ambas as coisas, por mais contraditório que possa parecer! E vivamos a vida intensament...

segredos da vida

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foto Sil Costanti, imagem ao fundo Fabíola Morais Há cinco anos venho observando de fato a vida. Digo de fato pois antes desse período a vida passava e não percebia várias coisas que hoje são muito caras para a qualidade de vida que quero manter. Das observações mais importantes: o respeito que tenho pela alegria e pela gratidão de viver, minha origem/ família, as escolhas que fiz através das orientações e influências que recebi. Sem demagogias ou ingenuidades estou certa de que somos aquilo que acreditamos ser, e mais, somos o que desejarmos profundamente ser. Dos meus maiores segredos conto que a vida é... e eu sou...